Vamos falar de (re)começos?

A Páscoa já bate à porta. Pipocam anúncios de chocolates e ovos surgem nos supermercados feito Gremlins molhados.

Mas a Páscoa tem outro significado. Ela fala de recomeços. E hoje quero falar do meu pra vocês.

É longo, então pega um salgadinho, dá um play no Ben Harper e vem comigo.

 

Quem acompanha a BATHS no Facebook e Instagram percebeu que ficamos fora do ar desde janeiro. Mês parado de vendas? Não, não foi bem isso.

Eu, Fernanda, a cara e a alma da BATHS, engravidei ano passado. No susto, sem esperar, descobri 7 dias após a morte do meu pai. Leo, meu pequeno leãozinho, já começava uma pequena revolução silenciosa aqui.

Em janeiro,  sabe-se Deus porque, entrei em trabalho de parto prematuro. E corre pra maternidade. E fica de cabeça para baixo. E bora segurar esse pequenino. Com 5 meses não é pra ninguém nascer, não.

Round 1. Segurei 6 dias. Leo anunciou a sua chegada e lá fomos nós para uma cirurgia de emergência. Chegou ao mundo, bravo e forte, como era de se esperar.

Tudo corria bem, menos eu. Não corria e nem andava. De que jeito, com aquela dor?

Tive alta 4 dias depois da cirurgia. Nem cheguei em casa e já voltei ao hospital.

Exame daqui, exame dali. Infecção generalizada. Centro cirúrgico já! Round 2.

Só me lembro de chorar muito, ter a nítida sensação de ter comprado um bilhete pro trem do céu e… adeus, mundo cruel.

Ao abrir os olhos, ainda turvos, a mente confusa, uma dor dilacerante que já nem sabia de onde vinha mais, agradeci. “Oh, Lord, obrigada por me deixar aqui. Meus amigos ficariam sem uma palhaça na turma, coitados.” 😛

Round 3. Os médicos vieram me contar o que aconteceu. Necrose do útero. Histerectomia.

Longos dias naquela UTI escura e sem janelas. Se tem uma coisa que nunca serei é bandida, porque esse negócio de ficar presa, sem luz, não é pra mim definitivamente.

A infecção persistia. Mas e o Leo? Eu não disse que ele veio bravo e forte? Pois bem.

Já disse o filósofo: “O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece.”

Meu coração, ao contrário do que imaginei, estava muito tranquilo, muito sereno. A vontade de sair de lá era óbvia, mas eu sabia que o processo era importante para mim. E para o meu filho.

No dia em que mais me senti bem, veio a notícia: Leo havia desenvolvido uma infecção e precisou partir. Round 4.

Até os médicos tinham lágrimas nos olhos. A UTI, que até então era isolada e com visita restrita, passou a receber mais e mais pessoas, todas vindo para me abraçar. E nenhuma lágrima desceu dos meus olhos.

As teorias são muitas e cada um que acredita em algo quer te confortar. Inúmeros foram os argumentos, enquanto para mim era um só. Meu filho só veio para me transformar e me renascer. Me amou, me fez mãe, apertou meu dedo e disse: “Te vejo lá na frente, mãe.”. Cumpriu sua missão lindamente. (Te vejo logo, filho. <3)

Os dias seguiam. A vida sempre segue. E lá na UTI eu só conseguia pensar no quanto eu desejava estar viva e do lado de fora para começar minha transformação.

Mas um dia me dei conta de que não precisava estar em pé e curada para iniciar qualquer transformação. Eu poderia começá-la ali mesmo. E tinha a supervisão do meu filhote. O que mais eu podia querer?

Assim foi, dia após dia. Hora a hora. Estabelecendo pequenas metas que me levariam ao grande objetivo de me curar.

Pensamento positivo e serenidade. Aceitar o fluxo das coisas que não posso modificar e força e coragem para modificar as que eu podia. Muita mentalização de cura e muita expansão da consciência. E pra você que não acredita no poder da mente, beijo grande.

Exames chegando e resultados ótimos, dia após dia. O infectologista comentava como era possível me manter tão bem fisicamente quando ainda havia tanta infecção a combater. Pois é, doc, é que um dia um grande homem me disse que se a vida me desse limões, que eu fizesse uma limonada. E eu prometi que sempre faria uma caipirinha.

Vinte e nove dias depois veio a alta. Mente 10 x 0 bactéria.

Vinte e nove dias depois, uma nova chance. Recomeço. Da minha vida, da minha história, das coisas em que eu acredito.

Recomeçar dói. Exige coragem. Toma tempo. E ainda assim é bom.

Entendi que, mais do que nunca, só vale a pena viver se for para amar cada minuto de vida. Amar as pessoas, o que se escolheu para fazer, e principalmente, a você mesmo. Amar e ser grata a tudo e a todos.

A BATHS, junto comigo, renasceu. Renovou. Porque eu sou ela e ela sou eu. E é essa energia que eu quero permeando a minha vida e a de vocês. A energia do amor.

Que o amor esteja sempre presente.

Abraço de urso,

assinatura-baths

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10 Comments

  1. Linda! Não esperaria nada diferente vindo de você! Te conheço há uns bons anos e passamos por momentos difíceis, como qualquer pessoa e aqui estamos, prontas para viver! Grande beijo e conte sempre comigo!!

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  2. Querida Fernanda, sua história é muito parecida com a minha, com exceção de que eu não tive nenhum risco ou problema de saúde, “apenas” perdi meu filho. Sobre isso, eu conto no livro, feito em homenagem a ele, Até Breve, José, mas que bem poderia ser Até Breve, Leo. ❤ Receba meu amor. Camila

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  3. Só te digo uma coisa: nada nessa vida é por acaso!!!!

    Gosto muito de você e tenho certeza que agora vc está melhor!!!!

    Orgulho de te ter como amiga!!!!

    Se precisar grita!!! ❤❤❤

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